A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o veto da União Europeia (UE) a importação das carnes brasileiras será encerrado em 2027. Esses embarques estão suspensos desde 3 de setembro deste ano.

Em 4 de setembro, equipes técnicas da União Europeia estiveram no Brasil para avaliar a cadeia nacional de produção de mel e carne de frango. Com avaliação positiva, ambos os produtos devem ser liberados novamente nos próximos meses, segundo o Ministério da Agricultura.
O Paraná é um dos estados mais impactados com o veto da União Europeia a importação de carnes brasileiras.
Em 2025, o agronegócio paranaense exportou ao mercado europeu US$ 392,2 milhões – somente nos setores de avicultura e bovinicultura de corte. Na conversão para o real, esse número equivale a cerca de R$ 2 bilhões.
Ao todo, foram embarcados US$ 382 milhões em carne de frango (118,7 mil toneladas) e US$ 10,2 milhões em carne bovina (1,4 mil toneladas).
Apenas no primeiro semestre deste ano, o Paraná exportou à UE cerca de US$ 224 milhões em carne de frango (78,7 mil toneladas) e US$ 4,6 milhões em carne bovina (643 toneladas).
Segundo Luiz Eliezer Ferreira, técnico do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, para a carne bovina a liberação das exportações deve demorar um tempo maior que para o setor avícola.
“Na avicultura nós temos a vantagem do ciclo ser bastante curto, então em 45 dias a gente tem um ciclo de produção que a gente consegue adequar e temos um alto grau de rastreadibilidade. 100% da avicultura é rastreável a produção, diferente da pecuária bovina, bovinocultura de corte, em que o ciclo é mais longo e aí nós estamos falando de 36 a 48 meses entre o ciclo do nascimento ao abate do animal”, analisa.
Por que a União Europeia colocou embargo na importação de carnes brasileiras?

Em maio deste ano, a União Europeia avisou ao Brasil que a partir de 3 de setembro iniciaria embargo nas importações em alguns produtos de origem animal do país, como carnes bovina e de frango, mel, equinos, tripas e itens de aquicultura
A justificativa da UE foi que o Brasil não conseguiu provar que a cadeia produtiva restringe o uso de medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
No Paraná, o Sistema FAEP encaminhou, em junho deste ano, um ofício ao Mapa para que fossem tomadas medidas para atender as exigências do mercado europeu.
O estado é referência nacional no controle sanitário na cadeia agropecuária. Em 2021, foi reconhecido como área livre de febre aftosa pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) – certificação que nacionalmente foi conseguida apenas em 2025.
A decisão pode impactar também outras parcerias do Brasil no mercado internacional. Isso porque mais de 20 países utilizam a União Europeia como referência na importação de carnes, como o Reino Unido e nações africanas.
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