O projeto Aye Wa Ni Àlàáfià tem como objetivo promover os cuidados com a saúde e a prevenção de HIV/aids e outras infecções sexualmente transmissíveis – ISTs junto às comunidades de terreiro de Curitiba e Região Metropolitana.

Na região, estima-se um total de 3,5 mil terreiros de tradição afro, incluindo cultos como Umbanda, Candomblé, Jurema Sagrada e Omolokô. A maioria dessas casas está localizada em regiões periféricas. 

Vida e bem-estar na Terra

Aye Wa Ni Àlàáfià vem da língua iorubá e significa “Vida e bem-estar na Terra”.  O projeto é desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Diversidade Sexual – IBDSEX. Além dos temas relacionados à saúde, realiza capacitações sobre outros assuntos importantes, como direitos dos povos de terreiro, advocacy e diversidade sexual.

Nos templos de religiões de matriz africana acontecem o atendimento espiritual a consulentes, a ajuda social à comunidade e o acolhimento de pessoas, independentemente de suas particularidades e necessidades, o que inclui questões relacionadas à saúde. Por isso é necessário que os terreiros sejam espaços de difusão de informações sobre prevenção e conhecimentos sobre saúde e temas importantes para as pessoas praticantes de religiosidades afro-brasileiras.

Capacitações nos terreiros

Na primeira fase, que aconteceu entre fevereiro e abril deste ano, as atividades de capacitação ocorreram na sede do Grupo Dignidade, em Curitiba. Agora, na segunda fase, a equipe do projeto está realizando as atividades diretamente nos terreiros.

As lideranças religiosas que tenham interesse em receber as capacitações podem entrar em contato para agendar a visita em suas casas de culto. É importante salientar que as capacitações são totalmente gratuitas e não possuem nenhuma vinculação a partidos políticos, sendo realizadas com financiamento a partir do Edital nº 02/2024 da Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS/MS.

Elementos da tradição afro-brasileira

Para dialogar mais diretamente com as populações de terreiros, as mitologias africanas e elementos ritualísticos das suas manifestações religiosas são utilizados na elaboração de todos os conteúdos informativos, incluindo a sua própria identidade visual. 

Todos os materiais, impressos e digitais – folders, cartazes, camisetas, ecobags e postagens nas redes – remetem ao universo simbólico das tradições afro-brasileiras, em suas mais diversas vertentes.

Texto do jornalista André Pinheiro.