O novo julgamento do ex-policial federal Ronaldo Massuia Silva, acusado de matar o fotógrafo André Muniz Fritoli, de 32 anos, em Curitiba, foi marcado para ocorrer entre os dias 9 e 13 de novembro de 2026, a partir das 9h30. A definição foi divulgada nesta terça-feira (15), após a Justiça dissolver o Conselho de Sentença do júri anterior, interrompido durante o segundo dia de sessão.

O ex-policial é acusado de matar o fotógrafo André Muniz Fritoli durante ataque em um posto de combustíveis em Curitiba. Foto: reprodução/Ric RECORD

A decisão foi tomada pela Juíza de Direito da 2ª Vara Plenário do Tribunal do Júri de Curitiba. Conforme nota divulgada pela assistência de acusação, a magistrada que presidiu o julgamento que foi dissolvido também decidiu se afastar do caso, passando a condução do processo para outro magistrado.

O julgamento anterior havia começado e foi interrompido após uma ocorrência envolvendo Massuia nas dependências onde a sessão era realizada. Segundo a defesa, o réu, que estava recolhido na carceragem do fórum, recebeu atendimento médico após a situação.

Entenda a acusação

Massuia é acusado de matar André Muniz Fritoli e ferir outras sete pessoas durante um ataque em uma loja de conveniência de um posto de combustíveis no bairro Cristo Rei, em Curitiba, em 1º de maio de 2022.

As provas produzidas durante os dois primeiros dias do julgamento permanecem preservadas, segundo as informações divulgadas após a dissolução do Conselho de Sentença.

Defesa questiona condições de saúde do réu para julgamento

Em nota divulgada nesta terça-feira (15), a defesa de Ronaldo Massuia afirmou que o acusado apresentou uma situação de fragilidade emocional durante o julgamento na carceragem do fórum.

Os advogados também afirmaram que, após a ocorrência, a juíza determinou o envio de um ofício ao Complexo Médico Penal para atendimento de Massuia. Segundo a defesa, uma resposta da unidade informou que apenas um médico permanece em atividade no local e que a aposentadoria compulsória dele está prevista para novembro de 2026.

A defesa questionou ainda a marcação do novo julgamento para o período de 9 a 13 de novembro e afirmou que não haveria, até o momento, atualização sobre as condições físicas e psicológicas do acusado. O réu permanece preso.

Veja a nota na íntegra da defesa de Ronaldo Massuia Silva

“A defesa técnica de Ronaldo Massuia Silva vem a público prestar esclarecimentos sobre fatos graves ocorridos no curso do julgamento, e a decisão hoje proferida.

Durante a sessão de julgamento, o acusado, tomado por extrema fragilidade emocional, atentou contra a própria vida na carceragem do fórum.

Diante da gravidade do episódio, a própria Juíza determinou a expedição de ofício ao Complexo Médico Penal, para que Ronaldo Massuia Silva recebesse o devido atendimento e fossem resguardadas sua integridade física e mental.

A resposta do Complexo Médico Penal trouxe, contudo, uma revelação inquietante: apenas um médico*, […] permanece em atividade na unidade, e sua aposentadoria compulsória já está prevista para novembro de 2026. É a própria instituição incumbida de zelar pela integridade do assistido que confessa, nos autos, operar à beira do colapso assistencial.

Diante desse quadro, causa perplexidade a decisão que se seguiu: a Juíza designou nova sessão de julgamento para os dias 9 a 13 de novembro de 2026, às 9h30, e, logo depois, declarou se suspeita e afastou se do processo, sem que os autos tragam qualquer notícia atualizada sobre as reais condições físicas e psicológicas do acusado.

O que se revela, mais uma vez, é o descaso reiterado com a saúde mental de um homem que, sob custódia do próprio Poder Judiciário, tentou tirar a própria vida. Consumada a tragédia, de nada adianta tentar remediá-la.

A defesa seguirá acompanhando de perto o caso e adotará todas as medidas necessárias para que a integridade física e mental de seu assistido seja, enfim, tratada com a seriedade que merece“.

*O Portal Banda B optou por não divulgar o nome do médico citado na nota da defesa de Ronaldo Massuia Silva, a fim de preservar a identidade e evitar a exposição do profissional.

Acusação espera condenação no novo julgamento do ex-policial acusado de matar fotógrafo

A assistência de acusação também divulgou uma nota sobre a nova data do julgamento. Os advogados afirmaram esperar que Ronaldo Massuia seja condenado e que a Justiça seja alcançada.

A nova sessão está prevista para ocorrer durante cinco dias, entre 9 e 13 de novembro, com início às 9h30.

Confira o comunicado da acusação na íntegra:

“A Juíza de Direito da 2ª Vara Plenário do Tribunal do Júri de Curitiba designou para os próximos dias 9 a 13 de novembro, iniciando-se às 9h30, o novo júri de Ronaldo Massuia.

Na mesma decisão, a Juíza que presidiu o júri que foi dissolvido, decidiu se afastar do caso, passando a condução do processo para outro magistrado.

A expectativa da assistência de acusação é que Ronaldo seja finalmente condenado e a justiça seja alcançada”.

Ataque aconteceu em 2022

O crime aconteceu em 1º de maio de 2022, em uma loja de conveniência de um posto de combustíveis no bairro Cristo Rei, em Curitiba.

De acordo com a acusação descrita no processo, Massuia estava no local quando começou uma discussão com funcionários e clientes. A motivação apontada pela denúncia foi considerada fútil e relacionada a um desentendimento no estabelecimento.

Após sair da loja, o então policial federal teria retornado armado. Segundo o processo, ele utilizou uma pistola Glock calibre 9 mm pertencente à Polícia Federal e começou a efetuar disparos contra pessoas que estavam na conveniência.

As imagens das câmeras de segurança registraram parte da ação. Clientes aparecem correndo e tentando se proteger dos tiros.

Vídeo: reprodução/câmera de segurança

Segundo a denúncia, os disparos atingiram ou foram direcionados contra sete pessoas que sobreviveram. No deck do estabelecimento, Massuia atirou contra André Muniz Fritoli e Milena Christie Brotto. André foi atingido e morreu. Milena sobreviveu.